Rastreamento de anomalias cromossômicas

No rastreamento pré-natal da trissomia do cromossomo 21, o termo grupo de risco pode ser substituído pelo termo taxa de teste invasivo, porque a maioria das mulheres com resultados positivos nos testes de rastreamento se submete a teste invasivo. Da mesma forma, o termo taxa de falso positivo pode ser empregado, pois a maioria dos fetos nesse grupo é normal.

O primeiro método de rastreamento para trissomia do cromossomo 21, introduzido no início dos anos 70, baseava-se somente na idade materna. Como o diagnóstico pré-natal não poderia ser oferecido a todas as gestantes, por motivos financeiros e pelo risco de abortamento, a amniocentese foi inicialmente posta a disposição apenas de pacientes com 40 anos ou mais. A medida que o procedimento passou a ser mais difundido e, aparentemente, mais seguro, o grupo de alto risco foi redefinido, passando a incluir mulheres com 35 anos ou mais, o que constituía naquela época 5% da população de gestantes.

Nos últimos 30 anos, dois programas dogmáticos surgiram em termos de rastreamento de trissomia do cromossomo 21. O primeiro, mais freqüentemente observado em países com sistemas privados de saúde, baseava-se no dogma do risco aumentado em pacientes com mais de 35 anos. Uma vez que a idade média das gestantes tem-se elevado, na maioria dos países desenvolvidos, o grupo de risco passou a abranger 15% das gestantes. O segundo programa, instituído em países com sistema de saúde público, aderiu ao dogma de oferecer teste invasivo a 5% das mulheres com risco aumentado. Nos últimos 20 anos, a idade de corte para teste invasivo foi, portanto, elevada de 35 para 38 anos. Utilizando-se como ponto de corte a idade materna de 38 anos para o rastreamento da trissomia do cromossomo 21, verificou-se que 5% da população são classificados como sendo de alto risco, em cujo grupo há cerca de 30% de recém-nascidos com essa anomalia.

No final da década de 80, foi introduzido um novo método de rastreamento que leva em consideração não somente a idade materna, mas também a concentração de vários produtos fetoplacentários na circulação da mãe. Na 16a semana de gestação, a concentração sérica média materna de alfa-fetoproteína (AFP), estriol não-conjugado (uE3), hCG (total e fração livre) e inibina- A em gestações com trissomia do cromossomo 21 é significativamente diferente do normal para permitir o uso de combinações ou de todas as substâncias para selecionar um grupo de alto risco. Esse método de rastreamento é mais eficaz do que considerar a idade materna isoladamente, pois com a mesma taxa de teste invasivo (cerca de 5%), identificam-se 50% a 70% dos fetos acometidos pela trissomia do cromossomo 21.

Nos anos 90, introduziu-se o rastreamento da síndrome de Down pela combinação da idade materna com a medida da TN entre 11–13+6 semanas de gestação. Esse método tem-se mostrado eficaz na identificação de cerca de 75% dos fetos acometidos, para uma taxa de resultado falso positivo de aproximadamente 5%.

Subseqüentemente, a idade materna e a medida da TN foram associadas a marcadores bioquímicos em soro materno (fração livre do b-hCG e PAPP-A) no primeiro trimestre, identificandose 85% a 90% dos fetos acometidos. Ademais, o desenvolvimento de novos métodos laboratoriais, que permitem a dosagem desses marcadores no intervalo de 30 minutos a partir da coleta de sangue, tornou possível a introdução da clínica OSCAR (One-Stop Clinic for Assessment of Risk). Isto é, a avaliação do risco para a trissomia do cromossomo 21, baseada na idade materna, na medida da TN e marcadores bioquímicos, pode ser feita em uma única visita ao consultório médico.

Em 2001, observou-se que, em 60% a 70% dos fetos com trissomia do cromossomo 21, o osso nasal não era visível ao exame ultra-sonográfico entre 11–13+6 semanas de gestação. Resultados preliminares sugerem que esse achado pode aumentar a taxa de detecção da síndrome para mais de 95%, quando associado à medida da TN e dosagem de marcadores bioquímicos.

Rastreamento sequencial

  • Toda mulher corre o risco de que seu feto/bebê tenha uma anomalia cromossômica. O risco basal ou risco a priori (background risk) depende da idade materna e da idade gestacional.
  • Calcula-se o risco específico para certa paciente multiplicando-se o risco a priori por uma série de fatores de correção, ou riscos relativos, que dependem dos resultados de uma série de testes de rastreamento realizados durante a gravidez.
  • Sempre que um novo teste é realizado, o risco a priori é multiplicado pelo risco relativo do teste para se calcular um novo risco, o qual se torna, por sua vez, o risco basal para o próximo teste.